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Como os goianos conseguiram construir negócios que extrapolam as fronteiras do Estado

“Provinciano” é uma palavra geralmente utilizada para des¬¬crever alguém cuja mentalidade é considerada atrasada, tacanha. É uma palavra que pode ser utilizada como antônimo de conhecedor, experiente, alguém que pensa “fora da caixa” — para relembrar uma expressão largamente utilizada nos Estados Unidos (thinking outside the box) —, isto é, uma pessoa que pensa diferente, com uma visão mais ampla do mundo.

E não é raro encontrar quem diga que os goianos ainda carregam consigo certo pensamento provinciano. Em partes, tal concepção é correta, embora seja possível expandir esse conceito para além do Rio Paranaíba. Contudo, essa visão de que Goiás é um Estado cravado no interior do Brasil, ainda em vigor, já está determinantemente equivocado, sobretudo em um mundo capitalista e altamente tecnológico como o atual.

Neste tempo da história, a noção de fronteiras foi tão expandida que, em alguns pontos, chega a desaparecer na formação de um mundo quase uno; noção esta levada a cabo no universo dos negócios. Prova disso é que Goiás, atualmente, está representado não apenas nas outras unidades da Federação, como também fora do País. Como? Por meio da visão nada provinciana dos empresários goianos.

Acontece que nos últimos anos, as notícias de que o Estado conseguiu atrair investimentos das grandes companhias brasileiras e internacionais — como a Hyundai e a Ambev, por exemplo — acabaram sobrepujando o entendimento dos empreendimentos goianos que se desenvolveram fora das divisas em que foram criadas. E não são poucos os casos. Nesta reportagem, o Jornal Opção mostra como quatro negócios nascidos em Goiás, são reconhecidos no Brasil e no mundo.

O caso mais recente trata-se da Primetek. Criada em 1999, a empresa começou com uma loja para vender produtos ligados à informática, mas conseguiu expandir seus negócios por meio de parcerias com os grandes fabricantes de produtos do segmento não apenas de informática, mas de tecnologia em si. E cresceu tanto que, atualmente, de acordo com o empresário Rodrigo Jesuíno, a Primetek é o maior canal de grandes empresas no Brasil, como Lenovo e LG Store.

“Compramos direto de todos os fabricantes”, declara Jesuíno, que, por meio dessa estratégia, melhorou seu desempenho na gestão e conseguiu abrir novas lojas. “Temos 22 lojas só no Estado de Goiás e 300 funcionários”, diz. Mas os números estão subindo. A questão: a Primetek adquiriu recentemente outra grande empresa do segmento, a CTIS, líder de mercado no Distrito Federal (DF).
Jesuíno conta que sua companhia tinha uma vontade de expandir negócios para o DF, mas que encontrava certa dificuldade, em virtude de ter vasta concorrência de mercado. Assim, “a maneira de entrar na região foi por meio da aquisição de um player que está há muito tempo no mercado”, afirma o empresário. Ele classifica a CTIS, como uma das grandes varejistas do país. E ele tem razão. A CTIS está no mercado desde 1983 e é a marca mais forte e lembrada do DF.

Dessa forma, a compra trouxe vários aspectos positivos para os planos do empresário, pois, ao mesmo tempo em que conseguiu se inserir no DF, evitou a concorrência de uma varejista muito forte. “Se fôssemos para lá, teríamos que gastar um tempo maior para divulgar a marca e negociar com os shoppings centers e pontos comerciais. E com essa aquisição, agora, nos tornamos o maior canal de tecnologia do Centro-Oeste”, explica ele.

No DF, a CTIS tem seis lojas, sendo quatro em shoppings e duas de rua. São poucas, mas todas elas têm mais de 500 metros quadrados e um departamento corporativo, voltado para negócios com pessoas jurídicas. Somam 150 funcionários. “Com a aquisição, chegaremos ao final deste ano com mais de 30 lojas e 450 funcionários”, ressalta.

Porque expandir

A decisão de entrar no DF, segundo Jesuíno, foi devido ao fato de não conseguir alcançar, em Goiás, uma expansão na mesma escala possível mais próximo da capital federal. Um fator diz respeito ao poder de consumo do brasiliense, que é maior do que do goiano.

Além disso, “praticamente metade do Estado de Goiás está na região metropolitana de Goiânia e o resto da população está dividido entre todos os outros municípios, sendo que poucos deles têm mais de 200 mil habitantes. Isso faz com que a massa de consumo esteja muito distribuída, logo, se torna inviável ir para o interior com um volume de negócios igual ao que conseguiremos no DF, que, além de tudo, é praticamente Goiás”.

É possível entender dois pontos com o caso da Primetek: 1) Com o aumento do poder de consumo da população, os empresários também foram desenvolvendo seus negócios em um Estado relativamente novo nas áreas comercial e industrial. Isso, somado ao desenvolvimento vivenciado nos últimos anos, fez com que os empreendedores realizassem os devidos investimentos para que os grupos “estrangeiros” não entrassem no Estado e tomassem conta do mercado. Além disso, Goiás, que tem o nono maior Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, ainda tem muito mercado a ser explorado, pois tem demanda reprimida de consumo. Entretanto, para alguns segmentos, outros Estados oferecem condições melhores de crescimento, caso do DF.

E 2) a visão do empresariado goiano mudou.

“Passamos a enxergar o mercado com mais arrojo”

Sim, houve uma modificação nas ideias dos empreendedores goianos. Mas como? Ao longo de duas décadas, essas pessoas saíram de uma visão mais acanhada, de empresários locais com uma visão provinciana, e passando para um caminho de negócios mais arrojado, mais agressivo e competidor. Vem daí essa cultura, que se fortaleceu nos últimos anos, de fazer negócios fora do Estado e do país.
“Essa geração começou na esteira da Arisco, a primeira a ter uma visão mais nacional. Depois, diversas pessoas começaram a enxergar oportunidades no País, que, ainda estava dividido em duas partes: a que cresce — Norte, Nordeste e Centro-Oeste — e a que já estava dominada — Sudeste e Sul. Nessa última parte havia espaço, porém, mais difícil de dominar. Por isso, os empresários começaram a ocupar os espaços que crescem. Nessas regiões, encontraram terreno fértil e, a partir disso, começaram a ter bons resultados, gerando um movimento saudável de crescimento das empresas goianas”.

A fala acima é de Helenir Queiroz, empresária à frente do Grupo Multidata, empreendimento criado em 1989 — ano de abertura do mercado de tecnologia no Brasil. Assim como a Primetek, o Grupo Multidata tem em Brasília um de seus principais focos comerciais. Porém, não é o principal, como relata Helenir: “Brasília e Rio de Janeiro são mercados muito importantes, mas São Paulo é o principal”.

A entrada da empresa em São Paulo ocorreu logo no início, visto que, segundo Helenir, para se estabelecer em Goiás, era necessário provar ser possível “vencer” fora do Estado de origem. “Era importante para nós ter grandes empresas no portfólio. Então, criamos uma filial em São Paulo, um de nossos sócios foi para lá e começamos a trabalhar isso. E esse movimento foi muito interessante porque aprendemos a lidar com esses clientes. A verdade é que, quando se vai para o mar aberto lidar com tubarão, se incorpora muito conhecimento”, argumenta.

E é a esse conhecimento que Helenir atribui o sucesso do Estado no País, ao que ela classifica como “boom das empresas goianas”. “Oportunidades sempre existem, mas precisam ser vistas. O empresário precisa se candidatar a elas. Então, quando houve mais arrojo, o desenvolvimento veio. Veja que rapidamente houve um boom. E são inúmeras empresas que estão fazendo negócios e trazendo divisas para o Estado, tanto que a balança comercial tem tido resultados diferentes da brasileira”, relembra.

Produção pecuária de Goiás chega a mais de 50 países

Goiás tem crescido acima da média nacional nos últimos anos. Prova disso é que a balança comercial goiana fechou 2014 com o melhor resultado da história: um superávit de 2,5 bilhões de dólares. Um número alto, assim como o de exportações. Apenas a soja apresentou volume de exportação na casa dos 1,69 bilhão de dólares. Se somada a carnes e milho, esse número ultrapassa, e muito, os 3 bilhões de dólares. O total de exportações foi de 6,79 bilhões de dólares.

E uma das empresas que tem um número considerável de exportações em Goiás é a SuperFrango, que começou seus trabalhos em 1973, em Itaberaí, cidade a aproximadamente 100 quilômetros de Goiânia, onde ainda se encontra a sede da indústria. O negócio, que tem escritórios comerciais em Goiânia, Uberlândia, Brasília e Belém, a muito já conquistou o mercado brasileiro, mas as exportações são algo recente, como conta seu diretor-presidente, José Carlos de Souza:

“Fui convidado pelo governo estadual para participar de uma missão na Ásia, em 2004. Ficamos lá por volta de 20 dias e foi meu primeiro contato com os mecanismos de exportação. Antes, não conhecia nada daquilo. Em 2005, pedi meu primeiro contêiner para uma transação pequena cujo intuito era apenas de fazer o primeiro negócio. A partir de então começamos a exportar de modo mais assíduo”, declara.

A SuperFrango fechou 2014 com 12% de seu faturamento oriundos da exportação. O faturamento: aproximadamente 44 milhões de dólares por ano. São 52 países a receber os produtos da indústria de Itaberaí, além do Brasil. Entre os maiores importadores estão: Alemanha, Japão, África do Sul, Angola, Geórgia, Holanda, Hong Kong, Paquistão, Dinamarca, Bélgica, Haiti, Cazaquistão e Congo.
Mas a intenção é aumentar o número de exportações. Souza afirma que nos próximos dois as exportações da empresa deverão chegar a 20% do faturamento no ano, sendo que, já neste ano, os negócios no exterior devem subir de 12% para 15%. “Isso significará 100 toneladas/dia. Hoje, exportamos aproximadamente 1700 toneladas/mês. Neste ano, alcançaremos entre 2.200 e 2.500 toneladas; em 2016, na faixa de 3 mil toneladas/mês, com um preço médio de 2.400 dólares a tonelada”, explica.

Conhecimento

José Carlos diz que, por mais que os números impressionem, o faturamento alcançado pela SuperFrango ainda é mediano, em comparação com outras grandes empresas exportadoras do Brasil. Contudo, para ele, o faturamento não foi o grande ganho de sua inserção nos negócios estrangeiros.

Ele aponta que começar a exportar abriu muito sua visão de mercado, no que diz respeito à qualidade dos produtos e da própria gestão, além da formação dos colaboradores e funcionários da indústria. “A exportação melhora tudo isso. E o que considero realmente positivo de toda essa experiência, é o conhecimento. A visão da empresa. Isso muda bastante. E o ganho do Estado também é grande, pois o empresário passa a trazer divisas. É uma mudança considerável”, analisa.

E é justamente esse conhecimento que deve auxiliar o empreendimento neste ano, em que os prognósticos não são favoráveis à economia brasileira, como diz o empresário: “Os juros aumentaram e os incentivos serão menores neste ano, mas conseguiremos expandir”.

Crescimento à revelia do prognóstico de crise

“Mercado ruim representa uma oportunidade para que as empresas que têm o pé no chão cresçam”. A frase é do diretor de expansão e logística do Fujioka, gigante do segmento varejista brasileiro, Katsume Fujioka. A frase faz menção às previsões de crise para a economia deste ano.
Acontece que, desde o segundo semestre de 2014, economistas e empresários têm apontado para uma possível recessão brasileira. Os motivos são muitos e, em grande parte, todos estão ligados aos equívocos cometidos pelo governo federal, resultados da “nova matriz econômica” dos governos petistas.

Tal perspectiva é apoiada agora pelo anúncio de fortes ajustes econômicos — aumento de impostos; corte de incentivos fiscais; redução de crédito dado a empresas pelos bancos públicos, como o BNDES; custos nos programas sociais — a serem aplicados pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

As novas políticas para a economia brasileira têm assustado a muitos, mas não a todos. Um dos fundadores da rede varejista que leva o nome de sua família, Katsume Fujioka explica como, à revelia do que pregam os economistas, o Fujioka pretende aumentar o número de lojas, funcionários e faturamento neste ano. Uma das primeiras empresas goianas a expandir negócios para o Distrito Federal (DF) — tem lojas em Brasília desde 1979 —, o Fujioka tem atualmente 30 postos de venda no DF e na região do Entorno. São 65 lojas no total.

Agora, a rede deve se expandir para outros Estados, ampliação de fronteiras que já começou com a abertura de uma loja em Uberlândia, no fim de 2014. Katsume diz que esta é a primeira de 10, que visam consolidar a rede no Triângulo Mineiro até o fim do ano. “Em março, abriremos duas lojas em Uberaba, que compõem nosso plano de expansão, que conta ainda com as cidades de Araguari, Passos e Catalão, cidade goiana em que ainda não estamos e que faz divisa com Minas Gerais”, relata.

Com isso, o Fujioka passará, a partir de 2015, de 3.300 para 3.500 funcionários diretos. “A geração de emprego é grande”, diz Katsume. “E é importante pontuar que temos a característica de contratar funcionários especializados, isto é, investimos em pessoas”. Dessa forma, a rede deverá chegar ao fim do ano com 75 lojas e um aumento substancial no faturamento.

Katsume, porém, também reconhece que boas oportunidades surgiram nos últimos anos também devido ao desenvolvimento do Estado. Segundo ele, Goiás tem sido um exemplo de crescimento quando colocado em comparação com os demais Estados do país, principalmente no que tange à agricultura e pecuária.

Ele diz que esses dois segmentos deram sustentação para que o Estado crescesse e o mercado se ampliasse, dando base para as demais empresas de Goiás, independente do ramo de negócios. “Prova disso é que o Fujioka nasceu e cresceu em Goiás e estamos em praticamente todas as cidades acima de 50 mil habitantes. Agora, estamos cruzando a fronteira”, afirma.

Tecnologia

Katsume aponta a tecnologia como um dos principais fatores para o desenvolvimento dos negócios da família. Ele conta que a empresa nasceu em 1964 com foco na fotografia, que foi se desenvolvendo com o aprimoramento da tecnologia. “O Fujioka nasceu em cima da fotografia, em 1964. Desde então, a tecnologia evoluiu bastante. A fotografia digital, por exemplo, mudou o mercado completamente. Quem vivia de fotografia analógica, hoje, se pauta pela digital”, ressalta.

Além disso, relata que a aposta em novos produtos foi de essencial importância para guinar os negócios. “A linha de informática nos proporcionou um avanço grande de vendas, pois esse segmento rege o consumo das pessoas atualmente”.

Matéria produzida e publicada originalmente pelo Jornal Opção.

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